Os desafios com a pandemia tem afetado não apenas a população, mas até mesmo os profissionais que trabalham na área da saúde. Por isso, a redação do Valor Diário conversou na quinta-feira, 30 de julho, com a médica Layana Heck, que trabalha em UPAS de Lajeado, distante 114 km de Porto Alegre. Ela nos relatou um pouco de sua rotina e os desafios de atuar em meio a pandemia.

Valor Diário: Como é trabalhar atendendo pessoas suspeitas de Covid-19?

Dra Layana: Atender suspeitos de covid tornou a rotina mais cansativa e desafiadora. A parte mais cansativa é com certeza a paramentação e descarte corretos de EPIs (equipamentos de proteção individual), os quais são extremamente desconfortáveis, até mesmo de se usar ao longo do dia. A sua colocação e retirada cautelosa, além de todos os cuidados de higiene do ambiente e dos profissionais, a rotina de atendimento mais demorada, além do preenchimento de documentos e atestados de afastamento que também tornam o atendimento mais demorado que o usual.

Ressalto que eu não lido no dia a dia com pacientes suspeitos graves na Upa. No máximo como uma transição antes de irem ao hospital.

pandemia do coronavírus
Entrevista com a médica Layana Heck e os desafios com a pandemia do coronavírus Foto – Arquivo Pessoal

Valor Diário: Muitos pacientes já chegaram com sintomas bem grave?

Dra Layana: Existem sim pacientes que chegam com sintomas graves, a chamada Síndrome Respiratórios Aguda Grave (SRAG), mas felizmente em relação à todos os suspeitos que atendemos, são minoria. Alguns chegam também em um quadro de transição entre Síndrome Gripal sem sinais de alarme e a SRAG, referindo desconforto para respirar e a respiração mais acelerada mas sem ainda grandes alterações ao exame e níveis de oxigênio no sangue. Vemos no dia a dia que temos que ter um olhar atento e precoce de internação para estes pacientes, pois a piora pode acontecer rapidamente.

Valor Diário: Sobre a sua experiência e de seus colegas, qual o maior desafio em lidar com a pandemia?

Dra Layana: O maior desafio ao lidar com a Pandemia é a baixa aderência das pessoas ao isolamento. Sabemos que não está sendo cumprido adequadamente. Inclusive pacientes suspeitos que recebem a orientação de isolamento completo não cumprem este isolamento adequadamente o que acaba propagando a infecção em maior escala.

Valor Diário: Quais os aprendizados profissionais sobre a pandemia do coronavírus?

Dra Layana: A importância de um adequado uso de EPIs para evitar a contaminação da equipe. A importância de se usar tratamentos que são comprovadamente eficazes através de evidência científica e de se seguir protocolos.

A importância do isolamento social, vimos claramente na prática que os momentos de maior isolamento resultavam em menor número de novos casos. E a importância do preparo precoce dos municípios frente à Pandemia, os municípios da região que adquiriram mais respiradores mecânicos e criaram novos leitos e centrais de atendimento conseguiram até o momento evitar a falta de leitos na região.

Como profissional da saúde acho importante frisar a importância de se manter os cuidados preventivos de higiene e isolamento neste momento crítico, sem esquecer do cuidado com a saúde mental e física. É de extrema importância manter hábitos saudáveis e uma rotina prazerosa para cuidar também da saúde mental.

Como se espalha o coronavírus?

Atualmente não há vacina para prevenir a doença de coronavírus 2019 (COVID-19). A melhor maneira de prevenir a doença é evitar a exposição a esse vírus.

Acredita-se que o vírus se espalhe principalmente de pessoa para pessoa, por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala, entre outros.

Por isso, é importante:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, especialmente depois de estar em um local público ou depois de assoar o nariz, tossir ou espirrar;
  • Se não tiver água e sabão, use um desinfetante para as mãos que contenha pelo menos 60% de álcool. Cubra todas as superfícies das mãos e esfregue até sentir-se seco.
  • Evite tocar nos olhos, nariz e boca sem lavar as mãos.

Realizar o distanciamento social é recomendado pelos órgãos de saúde.

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