No Brasil, há cerca de 100 mil indivíduos em situação de rua. Com a intenção de ajudar com o que puder, grupos solidários do Recife se dividem entre oferecer alimentos nos pontos da cidade em que há maiores índices de moradores de rua, e doações de roupas e produtos de higiene. Além de descobrirem outras formas de ajudar.

grupos solidários
Grupos solidários do Recife mudam sua rotina durante a quarentena (Foto: Pixabay)

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Mudança na rotina devido à pandemia

Em primeiro lugar, a Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde recomendaram que a população ficasse em casa durante a pandemia. Assim, muitos dos participantes de grupos solidários do Recife acabaram se privando de ir às ações de doações.

Embora ainda hajam pequenos grupos rodando o centro da cidade e entregando alimentos, abrigos e casas criados para auxiliar os moradores de rua relataram uma diminuição drástica nas doações e, portanto, um aumento no comparecimento de pessoas procurando ajuda nos estabelecimentos.

Grupos solidários do Recife surgindo durante a pandemia

Juntamente com os grupos que já existem, muitas pessoas notaram uma necessidade vinda da parte dos indivíduos considerados grupos de risco do Coronavírus. Nesse sentido, originaram-se grupos solidários dentro de comunidades e condomínios para ajudar essas pessoas.

Grupo solidário Novos Amigos

Jefferson Souza, de 31 anos e morador de um condomínio na cidade do Recife, notou que seus vizinhos idosos estavam tendo dificuldades para ir em estabelecimentos como mercados ou farmácias. Juntamente com vizinhos e familiares, criou o grupo solidário Novos Amigos no dia 12 de Abril.

“Eu moro em um condomínio que tem muitos idosos que moram sozinhos e, com a quarentena, eles não estavam conseguindo comprar comida ou remédios. Juntei algumas pessoas que não são do grupo de risco, imprimi folhetos e fui colocando debaixo das portas desses vizinhos”, disse Jefferson.

A princípio, o grupo surgiu para fazer as compras dos vizinhos em grupo de risco, sem cobrar nada. A lista de produtos era passada por baixo da porta ou com o máximo de cuidados, juntamente com o dinheiro, e os integrantes do grupo iam aos estabelecimentos para adquirir os produtos.

Além disso, as compras também são levadas para a casa dos integrantes e devidamente higienizadas. Em seguida, são entregues no destino final.

Noêmia Barbosa, moradora do condomínio e considerada grupo de risco, se pronunciou sobre o grupo: “Eu tenho diabetes e problema no coração. Além disso, com meus 76 anos, fica difícil sair no meio da pandemia para fazer compras sozinha. Na rua, eu preciso ter atenção dobrada para não me contaminar. E na minha idade, é difícil ser tão esperta.”

Expansão além dos muros do condomínio

Assim como Jefferson, outras pessoas se interessaram no novo jeito de ajudar e o grupo se expandiu para além do condomínio. Agora, Jefferson informa que são cerca de 20 pessoas, dentro e fora do condomínio, que auxiliam vizinhos e amigos considerados grupos de risco.

“Contei sobre a iniciativa para um amigo que não mora perto de mim e ele adorou. Juntou uns vizinhos e levou o grupo para o bairro dele. Eu sei que muita gente precisa de ajuda, mas até o pouco que nós fazemos é um passo à frente.”, disse Jefferson.

A princípio, o grupo só existe no papel. De acordo com os integrantes, o próximo passo é entrar nas redes sociais e divulgar o trabalho, para que os Novos Amigos cresçam ainda mais e possam atingir até as cidades vizinhas.

Outros grupos solidários foram surgindo no Recife durante a quarentena, se adaptando à situação e buscando sempre ajudar ao próximo, com qualquer que seja a necessidade.

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